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Tomografia computadorizada: por que ela deve ser sua aliada no diagnóstico, planejamento e resolução das complexidades endodônticas?

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Adriana Lustosa Pereira Bicalho

A tomografia computadorizada é um exame por imagem que permite a visualização das estruturas anatômicas e patológicas em três dimensões, sem sobreposição e distorção dos detalhes a serem estudados.

Até o início deste século, apenas a Tomografia Computadorizada Fan Beam (FBTC) ou por Feixe em Leque (TCFL) estava disponível para o diagnóstico e o planejamento terapêutico na odontologia. Ainda assim, sua incorporação na rotina de atendimento clínico era bastante limitada, pois apresentava importantes desvantagens, como a baixa qualidade da imagem obtida, a presença de artefatos metálicos e de movimento, o custo elevado do exame e a alta dose de radiação para aquisição das imagens.

A partir dos anos 2.000, surgiu uma nova modalidade dessa importante ferramenta de diagnóstico, a Tomografia Computadorizada Cone Beam (CBTC) ou por Feixe Cônico (TCFC), a qual passou, gradativamente, a ser utilizada em todas as áreas da odontologia.

Dentre as vantagens da TCFC, podemos citar o tempo reduzido do exame e, por consequência, menor dose de exposição à radiação e menor ocorrência de artefatos de movimento do paciente. Uma maior nitidez e qualidade das imagens, permitindo a visualização mais precisa da região de interesse, também é um fator a ser destacado. Além disso, como o equipamento é mais compacto e é possível a utilização de computadores convencionais com alto desempenho, reduz-se consideravelmente o custo do exame tornando-o mais acessível.

Ainda assim, apesar da superioridade da TCFC sobre a TCFL na odontologia em geral, especialmente no que concerne ao diagnóstico e planejamento terapêutico na endodontia, a qualidade das imagens e precisão dos resultados permaneciam distantes dos padrões ideais.

É consenso entre a maioria dos especialistas a importância da realização da TCFC previamente a uma abordagem endodôntica, sobretudo nas complexidades, onde a maior parte das alterações está associada aos tecidos mineralizados.

De acordo com as diretrizes da American Association of Endodontists – AAE, em 2015, sua indicação envolve desde a pesquisa e localização de canais radiculares extras ou obliterados, estudo detalhado das variações anatômicas, diagnóstico de perfurações e desvios durante a instrumentação, presença de lesões periapicais não detectadas radiograficamente, diagnóstico e tratamento de traumatismos dentários, visualização de fraturas radiculares e reabsorções dentárias, além do planejamento de reintervenções endodônticas convencionais ou cirúrgicas.

Isto posto, buscando disponibilizar aos profissionais informações mais detalhadas e precisas nos exames de TCFC e que resultassem em diagnósticos e tratamentos endodônticos mais previsíveis, recentemente houve considerável aprimoramento tecnológico dos aparelhos, com a incorporação de protocolos de alta resolução. Isso possibilitou a obtenção de imagens mais nítidas.

Assim, a TCFC de alta resolução tornou-se uma ferramenta padrão ouro para o atendimento de pacientes com necessidades endodônticas específicas, principalmente pela possibilidade de detecção de alterações mínimas inerentes à especialidade.

Alguns fatores até pouco tempo considerados desvantajosos para a realização da TCFC na endodontia têm sido cada vez menos relevantes, o alto custo do exame e a dose elevada de radiação.

Vale ressaltar que com o conhecimento crescente das inúmeras vantagens da TCFC na especialidade, tem-se aumentado a indicação e consequente procura por este serviço nas clínicas radiológicas odontológicas, contribuindo para que o valor do exame se torne mais acessível.

Como dito anteriormente, a TCFC pode se tornar um padrão de atendimento, mas não necessária a todos os tratamentos. A dose de radiação ainda é, equivocadamente, uma preocupação tanto dos profissionais como dos pacientes. Entretanto, quando esta for imprescindível, deve ser solicitada, não sendo a dose de radiação um fator impeditivo.

Para desconstruir a ideia de restrição ou contraindicação da TCFC pela excessiva dose de radiação, é importante ressaltar que na TCFC ela é cerca de 15 vezes menor que na TCFL. E quando comparada com exames bidimensionais, levando-se em consideração a área limitada a ser exposta para endodontia, a quantidade de radiação da TCFC, pode equivaler a duas ou três radiografias periapicais ou a uma panorâmica, o que torna o exame seguramente indicado considerando-se a precisão das informações obtidas.

Finalmente, do ponto de vista jurídico, segundo recomendações da American Association of Endodontists – AAE, em 2018, os profissionais podem ser processados por não solicitarem uma TCFC quando constatado que esta poderia minimizar ou evitar complicações durante o tratamento. E, ainda, a despeito da recusa do paciente em realizar o exame, esta deve ser registrada no prontuário com a assinatura do paciente.

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